sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sandy e os “esquecidos” pela mídia

To vendo agora a reprise do show em prol das vítimas do furacão Sandy, que fez um baita estrago nos EUA, principalmente nas cidades costeiras dos estados de New Jersey e New York. Na parte de baixo da tela da TV aparecem números de telefone pra que os espectadores também possam fazer uma doação, independentemente do país em que eles se encontrem (o show foi transmitido ao vivo e simultaneamente pra um monte de lugar).  

Inevitavelmente, lembrei de um incisivo texto que li no blog do Altamiro Borges, que diz mais ou menos o seguinte: ESSA PORRA DE TEMPESTADE TAMBÉM CRIOU DEVASTAÇÃO E COLAPSO EM VÁRIOS PAÍSES DA AMÉRICA CENTRAL - PORTO RICO, BAHAMAS, HAITI, CUBA, REPÚBLICA DOMINICANA - E NINGUÉM LIGOU PRA ISSO!!!

Um ser humano norte-americano vale mais que um ser humano centro-americano?

"Bah, mas eu não sabia". Provavelmente tu não sabia, porque quem tem que te informar não te informou: A MÍDIA BRASILEIRA MOSTROU QUE É COLONIZADA ATÉ A MEDULA. Ela ainda pensa como aquele ministro da ditadura: "o que é bom para os EUA, é bom apara o Brasil." É o velho "ctrl C + ctrl V" das notícias internacionais que lemos e vemos em todos os jornais. É um ponto de vista que se inculca em nossas cabeças todos os dias, e nós não percebemos. Ou construímos uma agenda midiática internacional independente, ou continuamos fingindo que brasileiros não são latino-americanos, esquecendo que só juntos poderemos continuar saindo da merda, a despeito dos desígnios geopolíticos do velho Império do Norte.

Enfim: solidariedade a TODAS as vítimas dessa medonha tempestade, principalmente aquelas residentes nos países mais pobres.



Olha aí: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/11/sandy-e-os-esquecidos-pela-midia.html


Sandy e os “esquecidos” pela mídia

4/11/2012 21:16
Por Blog do Miro
Por Altamiro Borges
O furacão Sandy causou enorme devastação na América Central, no Caribe e também nos Estados Unidos. Mas a mídia nativa, sempre tão colonizada, só deu atenção para a tragédia no território estadunidense. A TV Globo, com as suas longas matérias, até parecia uma sucursal de alguma emissora ianque. Novamente, em mais este caso dramático, a mídia brasileira demonstrou que não tem qualquer identidade com os povos latino-americanos. Ela serve ao império, sente as suas dores e reproduz as suas versões dos fatos.
Balanço parcial indica que o furacão Sandy, que virou uma tempestade nos EUA, causou pelo menos 41 mortes em Nova Iorque e deixou milhares de pessoas desabrigadas. Governo e corporações empresariais também já fazem cálculos sobre os prejuízos econômicos, que devem superar os US$ 50 bilhões – mais de 101 bilhões de reais. Já na América Central e no Caribe, os danos são bem maiores, devido principalmente à frágil estrutura dos países da região – sempre saqueados e oprimidos pelo império do norte.
Sofrimento na América Central e Caribe
Segundo o sítio da Adital, o furacão deixou 54 mortos no Haiti, 11 em Cuba, dois nas Bahamas, dois na República Dominicana, um na Jamaica e um em Porto Rico. A situação mais dramática é a do Haiti. “O ciclone aprofundou a crise nesse país caribenho, que já contava com 400 mil pessoas sem habitação desde o devastador terremoto de janeiro de 2010. Ele agregou à lista mais 200 mil pessoas. Agora, o governo haitiano teme pelo aumento do número das vítimas de cólera; no último mês, foram registrados 86 novos casos”.
Na Jamaica, ele deixou dezenas de famílias sem teto e causou prejuízos estimados em US$ 16,5 milhões, segundo informou a primeira-ministra do país, Portia Simpson Miller. E Cuba, a tormenta matou 11 pessoas em Santiago de Cuba e nas províncias de Guantánamo. Cerca de 5 mil edifícios foram parcialmente destruídos e 30 mil cubanos ficaram sem teto. Na República Dominicana, mais de 18 mil pessoas tiveram que ser evacuadas e cerca de 3.500 casas foram destruídas.
EUA pautam a imprensa nativa
A mídia colonizada simplesmente “esqueceu” estas vítimas. Como aponta o jornalista João Paulo Charleaux, “enquanto o furacão Sandy matava 69 pessoas na América Central e no Caribe, pouco se via sobre ele nos jornais daqui. Bastou a ventania entrar nos radares americanos para entrar, também, na pauta da imprensa brasileira com força total. Agora, escoado o aguaceiro, resta, além das mortes, a ideia de que ainda falta ao jornalismo internacional brasileiro criar sua própria agenda, em vez de comprar a dos outros”.
Charleaux trabalhou durante oito anos na Cruz Vermelha Internacional e já cobriu catástrofes para vários veículos. Ele lembra que “nas redações, a piada mais comum é a de que um americano assustado equivale a uns 40 centro-americanos mortos ou uns 50 corpos africanos e por aí vai”. De fato, para a mídia colonizada pouco importa o sofrimento dos povos que sempre foram explorados e oprimidos pelo império e que hoje lutam por sua libertação. A mídia servil chora apenas pelas vítimas do império! 



Nenhum comentário:

Postar um comentário