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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nem situação nem oposição [incluindo a grande mídia] estão preocupadas com a corrupção. Isso é luta política, meus amigos!

Em: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

A pizza e oportunismo dos ministros do STF

A situação, que não queria condenar mensaleiros, apresentou um relatório na CPI do Cachoeira pedindo vários indiciamentos.

A oposição, que rugia moralmente indignada pedindo severas condenações a mensaleiros, derrubou o relatório e assou a maior pizza do ano em Brasília.

Nem situação nem oposição estão preocupadas com  a corrupção.

A pizza tem nome: luta política.

O resto é tempero.

Vai ketchup?

*
Os ministros do STF que votaram pela cassação dos mandatos dos deputados mensaleiros rasgaram a Constituição e cuspiram em cima dela.
Qualquer pessoa alfabetizada e sem obsessões ideológicas vê isso.
Alguns ministros rasgaram seus próprios votos de alguns anos antes.
Mudaram de convicção ou, ao contrário, adaptaram suas convicções jurídicas às suas convêniências ideológicas e aos anseios da mídia lacerdinha?
Ou finalmente passaram a entender de Direito?

*
Todo mundo sabe como certos desastres terminam, por Paulo Moreira Leite

A descoberta de que em 1995 o ministro Celso de Mello proferiu um longo voto no qual defendia que apenas o Congresso tinha poderes para cassar o mandato de um parlamentar ilumina vários aspectos do julgamento do mensalão.

Decano do STF, em 1995 o ministro sustentou, com base no artigo 55 da Constituição, que:
“A norma inscrita no art. 55, § 2o, da Carta Federal, enquanto preceito de direito singular, encerra uma importante garantia constitucional destinada a preservar, salvo deliberação em contrário da própria instituição parlamentar, a intangibilidade do mandato titularizado pelo membro do Congresso Nacional, impedindo, desse modo, que uma decisão emanada de outro poder (o Poder Judiciário) implique, como conseqüência virtual dela emergente, a suspensão dos direitos políticos e a própria perda do mandato parlamentar.”

“(…) É que o congressista, enquanto perdurar o seu mandato, só poderá ser deste excepcionalmente privado, em ocorrendo condenação penal transitada em julgado, por efeito exclusivo de deliberação tomada pelo voto secreto e pela maioria absoluta dos membros de sua própria Casa Legislativa.”
“Não se pode perder de perspectiva, na análise da norma inscrita no art. 55, § 2o, da Constituição Federal, que esse preceito acha-se vocacionado a dispensar efetiva tutela ao exercício do mandato parlamentar, inviabilizando qualquer ensaio de ingerência de outro poder na esfera de atuação institucional do Legislativo.”

Vamos prestar atenção: Celso de Mello está dizendo com todas as letras que, “salvo deliberação em contrário da própria instituição parlamentar,” o mandato possui a garantia constitucional da intangibilidade, impedindo que “uma decisão emanada de outro poder (o Poder Judiciário), implique a suspensão dos direitos políticos e a própria perda do mandato.”  Diz ainda o ministro que o mandato só pode ser cassado “por efeito exclusivo” de uma deliberação “tomada pelo voto secreto e pela maioria absoluta dos membros de sua própria Casa Legislativa.”

Precisa mais?

Precisa. Em outra passagem daquele voto, Celso Mello faz questão de estabelecer diferenças entre a Carta em vigor, a de 1988, e a Emenda Constitucional anterior, de 1969, que procurava formatar as  leis da ditadura nascida com o AI-5. Era um cuidado importante. A carta da ditadura, que autorizava o funcionamento de um Congresso controlado, onde o presidente da República divulgava lista de cassados sem o menor pudor,  dizia em seu artigo 149 que o “Presidente” e o “Poder Judiciário” poderiam cassar mandatos.

Os próprios parlamentares estavam excluídos dessa decisão. Compreende-se. Mesmo num regime sem liberdade partidária, e imensa repressão sobre as organizações populares, em especial dos trabalhadores, eles poderiam causar dores de cabeça.

Neste aspecto, a ditadura era coerente. Subtraia dos representantes do povo – mesmo eleitos naquelas circunstâncias difíceis de um regime militar – o direito de deliberar sobre a cassação de um mandato. Examinando as duas cartas, Celso Mello conclui que uma decisão de outro poder – fala explicitamente do Poder Judiciário – poderia representar uma “tutela” ao “exercício do mandato parlamentar” e que a finalidade do artigo 55 era inviabilizar “qualquer ensaio de ingerência” sobre o Legislativo.

Precisa mais?

Precisa. O voto de Celso Mello em 1995 está longe de ser um caso isolado. Até muito recentemente, era um ponto pacífico para vários ministros da casa. Vários votaram no mensalão – para sustentar que o Supremo tem o direito de cassar mandatos.
Em 2011, no julgamento de um deputado condenado pelo STF por esterilização ilegal de mulheres no interior do Pará, os ministros também votaram sobre a cassação de mandatos. Alguns votos são significativos, conforme levantamento feito pelo repórter Erick Decat, divulgado dias atrás por Fernando Rodrigues:

Luiz Fux, revisor – página 173 do acórdão: “Com o trânsito em julgado, lance-se o nome do réu no rol dos culpados e oficie-se a Câmara dos Deputados para os fins do art. 55, § 2º, da Constituição Federal.

Marco Aurélio – página 177 do acórdão: “Também, Presidente, ainda no âmbito da eventualidade, penso que não cabe ao Supremo a iniciativa visando compelir a Mesa diretiva da Câmara dos Deputados a deliberar quanto à perda do mandato, presente o artigo 55, inciso VI do § 2º, da Constituição Federal. Por quê? Porque, se  formos a esse dispositivo, veremos que o Supremo não tem a iniciativa para chegar-se à perda de mandato por deliberação da Câmara”.

Gilmar Mendes – página 241 do acórdão: “No que diz respeito à questão suscitada pelo Ministro Ayres Britto, fico com a posição do Relator, que faz a comunicação para que a Câmara aplique tal como seja de seu entendimento

Ayres Britto (já aposentado) – página 226 do acórdão: “Só que a Constituição atual não habilita o Judiciário a decretar a perda, nunca, dos direitos políticos, só a suspensão”.

Cezar Peluso (já aposentado) – página 243 do acórdão: “A mera condenação criminal em si não implica, ainda durante a pendência dos seus efeitos, perda automática do mandato. Por que que não implica? Porque se implicasse, o disposto no artigo 55, VI, c/c § 2º, seria norma inócua ou destituída de qualquer senso; não restaria matéria sobre a qual o Congresso pudesse decidir. Se fosse sempre consequência automática de condenação criminal, em entendimento diverso do artigo 15, III, o Congresso não teria nada por deliberar, e essa norma perderia qualquer sentido”.

Vamos ler de novo?

Fux não manda cassar. Pelo contrário: manda oficiar a mesa para “os fins do artigo 55”, que exige deliberação por voto secreto e maioria absoluta – da cassação. Para Marco Aurélio, “não cabe ao Supremo a iniciativa visando compelir a Mesa diretiva da Câmara dos Deputados a deliberar quanto à perda do mandato, presente o artigo 55, inciso VI do § 2º, da Constituição Federal.” Gilmar Mendes pede que se comunique a decisão à Câmara para que a “aplique tal como seja de seu entendimento.”

Claro que ninguém está impedido de mudar de opinião ao longo da vida. Muitas vezes, essa mudança é indispensável e positiva. Quem pode julgar?

O voto de Celso de Mello em 1994 está longe de ser uma analise conjuntural. Aponta para traços permanentes que distinguem a Constituição cidadã de 1988, sem “ingerência de outro poder”, daquela de 1969, que previa cassação de mandatos pelo poder judiciário, como o Supremo fez com Chico Pinto em 1976.

Parece óbvio que ele – e outros colegas do STF – mudaram de opinião com o passar do tempo. Ao julgar o mensalão do PT, concluíram que o artigo 55 está errado.

Passaram a ter receio de que os parlamentares não cassem o mandato dos deputados condenados à pena de prisão.

Concordo que pode ser absurdo, mas está na lei e é um direito deles. E se os parlamentares concluírem, após ampla defesa, que o mandato não deve ser cassado? É feio? Escandaloso? Imoral?

Repito: feio, escandaloso e imoral é romper a Constituição, desastre que todos sabem como começam e, para evitar reações em contrário, fingem  não saber como terminam. (Todos sabem como terminam, não é?)

Em 2012, pelo menos quatro ministros do STF dizem que essa prerrogativa está errada. Dizem que ela pode criar o inconveniente de ter um político na cadeia – com o mandato no bolso.

Embora os juízes tenham mudado de opinião, a Constituição permanece a mesma. Passou por várias reformas, recebeu emendas, mas o artigo 55 permanece lá, em seu formato original. O texto é o mesmo, com todos os seus parágrafos e vírgulas. Temos então, um debate político — e não jurídico. A discussão é de outra natureza.

Quem quer mudar a Lei Maior, só precisa respeitar o artigo primeiro, que diz que todo poder emana do povo e será exercido por seus representantes eleitos – e aprovar uma emenda constitucional.

Não vale dizer que a Constituição é aquilo que o Supremo diz que ela é.

Sabe por que? Isso pode ser válido nos Estados Unidos, país que criou uma democracia aristocrática, com voto indireto, sem uma Assembléia Constituinte, colocando  acertos de cúpula acima da manifestação popular. Não custa lembrar que George W. Bush foi empossado por decisão da Suprema Corte.

No caso do Brasil, essa visão ignora a história do país. Os brasileiros conquistaram sua soberania no fim da ditadura ao eleger uma Constituinte pelo voto direto e secreto, rejeitando emendões, remendos e monstrengos variados que se queria impor a partir do alto. A Constituinte foi a resposta democrática contra as tentativas de fazer uma recauchutagem na ditadura.

Traumatizados por mandatos cassados conforme as conveniências dos generais, os constituintes fizeram questão de reforçar suas prerrogativas.
Todo mundo adora Raul Seixas mas ninguém precisa cair no rock da metamorfose ambulante nessa matéria.

E a tal segurança jurídica?

A Carta pode ser modificada, sim. Mas a palavra final está no artigo primeiro, aquele que diz que todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.
Esta é a questão.

Por fim,  uma observação. É curioso que uma descoberta relevante sobre um dos ministros mais influentes e respeitados do STF  tenha sido obra de um tuiteiro anônimo. Não foi assim uma revelação bombástica. O voto estava lá, nos arquivos do STF.

O tuiteiro  se apresenta com o pseudônimo de Stanley Burburinho, e deve ter lá seus motivos para não revelar a identidade.

O Brasil do início dos séculos XVII e XIX possuía vários personagens dessa natureza, que se escondiam atrás de nomes falsos e apelidos estranhos. O mais conhecido era um padre do Recife, chamado de O

Carapuceiro, que publicava um panfleto com notícias políticas e denúncias.

Mas vivíamos sob o absolutismo, da Coroa portuguesa e depois sob a Constituição promulgada sob a espada de Pedro I. A Censura era vista como um dado normal da vida pública, assim como o trabalho escravo.

Nada a ver com os tempos da Constituição de 1988, concorda?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sandy e os “esquecidos” pela mídia

To vendo agora a reprise do show em prol das vítimas do furacão Sandy, que fez um baita estrago nos EUA, principalmente nas cidades costeiras dos estados de New Jersey e New York. Na parte de baixo da tela da TV aparecem números de telefone pra que os espectadores também possam fazer uma doação, independentemente do país em que eles se encontrem (o show foi transmitido ao vivo e simultaneamente pra um monte de lugar).  

Inevitavelmente, lembrei de um incisivo texto que li no blog do Altamiro Borges, que diz mais ou menos o seguinte: ESSA PORRA DE TEMPESTADE TAMBÉM CRIOU DEVASTAÇÃO E COLAPSO EM VÁRIOS PAÍSES DA AMÉRICA CENTRAL - PORTO RICO, BAHAMAS, HAITI, CUBA, REPÚBLICA DOMINICANA - E NINGUÉM LIGOU PRA ISSO!!!

Um ser humano norte-americano vale mais que um ser humano centro-americano?

"Bah, mas eu não sabia". Provavelmente tu não sabia, porque quem tem que te informar não te informou: A MÍDIA BRASILEIRA MOSTROU QUE É COLONIZADA ATÉ A MEDULA. Ela ainda pensa como aquele ministro da ditadura: "o que é bom para os EUA, é bom apara o Brasil." É o velho "ctrl C + ctrl V" das notícias internacionais que lemos e vemos em todos os jornais. É um ponto de vista que se inculca em nossas cabeças todos os dias, e nós não percebemos. Ou construímos uma agenda midiática internacional independente, ou continuamos fingindo que brasileiros não são latino-americanos, esquecendo que só juntos poderemos continuar saindo da merda, a despeito dos desígnios geopolíticos do velho Império do Norte.

Enfim: solidariedade a TODAS as vítimas dessa medonha tempestade, principalmente aquelas residentes nos países mais pobres.



Olha aí: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/11/sandy-e-os-esquecidos-pela-midia.html


Sandy e os “esquecidos” pela mídia

4/11/2012 21:16
Por Blog do Miro
Por Altamiro Borges
O furacão Sandy causou enorme devastação na América Central, no Caribe e também nos Estados Unidos. Mas a mídia nativa, sempre tão colonizada, só deu atenção para a tragédia no território estadunidense. A TV Globo, com as suas longas matérias, até parecia uma sucursal de alguma emissora ianque. Novamente, em mais este caso dramático, a mídia brasileira demonstrou que não tem qualquer identidade com os povos latino-americanos. Ela serve ao império, sente as suas dores e reproduz as suas versões dos fatos.
Balanço parcial indica que o furacão Sandy, que virou uma tempestade nos EUA, causou pelo menos 41 mortes em Nova Iorque e deixou milhares de pessoas desabrigadas. Governo e corporações empresariais também já fazem cálculos sobre os prejuízos econômicos, que devem superar os US$ 50 bilhões – mais de 101 bilhões de reais. Já na América Central e no Caribe, os danos são bem maiores, devido principalmente à frágil estrutura dos países da região – sempre saqueados e oprimidos pelo império do norte.
Sofrimento na América Central e Caribe
Segundo o sítio da Adital, o furacão deixou 54 mortos no Haiti, 11 em Cuba, dois nas Bahamas, dois na República Dominicana, um na Jamaica e um em Porto Rico. A situação mais dramática é a do Haiti. “O ciclone aprofundou a crise nesse país caribenho, que já contava com 400 mil pessoas sem habitação desde o devastador terremoto de janeiro de 2010. Ele agregou à lista mais 200 mil pessoas. Agora, o governo haitiano teme pelo aumento do número das vítimas de cólera; no último mês, foram registrados 86 novos casos”.
Na Jamaica, ele deixou dezenas de famílias sem teto e causou prejuízos estimados em US$ 16,5 milhões, segundo informou a primeira-ministra do país, Portia Simpson Miller. E Cuba, a tormenta matou 11 pessoas em Santiago de Cuba e nas províncias de Guantánamo. Cerca de 5 mil edifícios foram parcialmente destruídos e 30 mil cubanos ficaram sem teto. Na República Dominicana, mais de 18 mil pessoas tiveram que ser evacuadas e cerca de 3.500 casas foram destruídas.
EUA pautam a imprensa nativa
A mídia colonizada simplesmente “esqueceu” estas vítimas. Como aponta o jornalista João Paulo Charleaux, “enquanto o furacão Sandy matava 69 pessoas na América Central e no Caribe, pouco se via sobre ele nos jornais daqui. Bastou a ventania entrar nos radares americanos para entrar, também, na pauta da imprensa brasileira com força total. Agora, escoado o aguaceiro, resta, além das mortes, a ideia de que ainda falta ao jornalismo internacional brasileiro criar sua própria agenda, em vez de comprar a dos outros”.
Charleaux trabalhou durante oito anos na Cruz Vermelha Internacional e já cobriu catástrofes para vários veículos. Ele lembra que “nas redações, a piada mais comum é a de que um americano assustado equivale a uns 40 centro-americanos mortos ou uns 50 corpos africanos e por aí vai”. De fato, para a mídia colonizada pouco importa o sofrimento dos povos que sempre foram explorados e oprimidos pelo império e que hoje lutam por sua libertação. A mídia servil chora apenas pelas vítimas do império! 



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

sábado, 8 de dezembro de 2012

O riso dos outros

Existem motivos pra eu ser um entusiasta da tv pública. Na TV Câmara assisti ao documentário "O riso dos  outros", que defino da seguinte forma: fundamental. Por quê? Porque questionar é fundamental. É a matriz do entendimento, que por sua vez define a ação. E questionar a mentalidade, essa mesma que está entranhada na gente e que se reproduz socialmente a partir do discurso e dos atos, é EXTREMAMENTE fundamental.

O que é o humor? O que é engraçado? O que é a piada? Quem é o alvo da piada e por quê? Uma piada é SÓ uma piada? O que é o tão falado "politicamente correto"? Quem usa esse termo, e por quê? O que é liberdade de expressão? Qual o poder da comédia? E o que se faz com esse poder?

Esses são só alguns dos questionamentos que o filme fez surgir. Faça os seus também.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Brasil ultrapassa Reino Unido e se torna 6ª economia do mundo


[O que isso significa? O que é PIB? Existem outros índices pra avaliar os países? Por que a economia do Brasil cresce? Quais as diferenças entre o Brasil e os que estão no topo? Quais as semelhanças?]      
     


O Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou a 6ª maior economia do mundo, de acordo com dados do Centro de Economia e Pesquisa de Negócios (CEBR, em inglês), consultoria responsável pelos resultados. A crise bancária de 2008 e a consequente recessão foram os pivôs da queda britânica, que pela primeira vez é ultrapassada por um país sul-americano no ranking das maiores economias do planeta, informam nesta segunda-feira os jornais The Guardian e Daily Mail.
      O topo da lista é ocupado pelos Estados Unidos, seguidos por China, Japão, Alemanha e França. O Guardian ressalta que o crescimento esperado de Rússia e Índia para os próximos dez anos podem deixar o Reino Unido ainda mais para baixo na lista das maiores economias. Vale lembrar que o Brasil ocupava a 9ª posição em 2009. Ano passado, ultrapassou Espanha e Itália alcançando a 7ª posição. Agora toma o lugar do Reino Unido na 6ª colocação. O periódico ainda ironiza os franceses que, apesar de ocuparam a 5ª colocação, devem apresentar um ritmo de queda maior que o dos britânicos nos próximos anos. "O Brasil tem batido os europeus no futebol por um longo tempo, mas batê-los na economia é um novo fenômeno", disse o CEO do CEBR, Douglas McWilliams. "Nosso ranking mostra como o mapa da economia está mudando, com países da Ásia e produtores de commodities (produtos básicos com cotação no mercado internacional) escalando o ranking, enquanto nós na Europa caímos para baixo", acrescentou. O Daily Mail lembra que os britânicos ainda têm uma qualidade de vida muito mais elevada, mas destaca o poder e o potencial brasileiro como motivos para a subida no ranking, além da situação política estável, o que atrai os investidores. 
Ministro já estimava o resultado
 
     O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já estimava o crescimento do País. Em entrevista coletiva realizada na última quinta-feira, o ministro afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) do País crescerá entre 3% e 3,5% em 2011 e, com US$ 2,4 trilhões, o Brasil passaria a ter o sexto maior PIB do mundo.
     "Poderemos ultrapassar as grandes economias nos próximos anos, principalmente porque a economia brasileira continuará com um ritmo acelerado. Das seis maiores economias do mundo em 2011, o Brasil só perde para a China", disse Mantega.
     De acordo com especialistas em economia, o Brasil deve ultrapassar a França até 2014 e a Alemanha até 2020, tornando-se a 4ª maior economia do mundo - disputando o posto com Rússia e Índia.

Fonte: Terra

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

No Uruguai, Justiça. No Brasil, no máximo, Verdade.

Mujica no Uruguai. Dilma no Brasil. Dois ex-presos políticos que combateram os regimes autoritários de seus países e que hoje estão no mais alto cargo do Executivo, referendados por voto popular a com expressiva aprovação. Brasil e Uruguai foram sentenciados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a corrigir a forma como tratavam seu passado ditatorial recente. Até aqui tudo muito parecido, mas as semelhanças acabam aqui! Lamentavelmente!


Ontem, o Congresso do Uruguai aprovou a lei que elimina a prescrição (tempo máximo para julgar crimes) para atos cometidos durante a ditadura uruguaia (1973-85). Com isso, todos os militares envolvidos em crimes podem ser processados, mesmo que já estejam na reserva. José Pepe Mujica apoiou a proposta e sua esposa, Lúcia Topolansky, como senadora atuou na defesa do projeto. A condenação da CIDH ao Uruguai exigia a eliminação dos obstáculos jurídicos que impedissem o julgamento dos crimes de elsa-humanidade. O governo uruguaio cumpriu a sentença (ah, que inveja!) e aprovou a lei que, em síntese, garante ao Estado o direito de punir os crimes cometidos no regime militar, elimina a prescrição para os processos envolvendo o período e declara tais infrações como crimes contra a humanidade. Um avanço sem tamanho para o Uruguai.

Já, por aqui, na república tupiniquim, ontem também foi aprovado no Senado o projeto que cria a Comissão da Verdade. Para o senador Aloysio Nunes (PSDB/SP), um perseguido político do regime civil-militar e relator do projeto, um dos objetivos da Comissão é averiguar como e onde funcionava a "máquina de matar", bem como investigar a atuação de civis no processo (atuação de médicos, enfermeiras, médicos legistas apoiando os "trabalhos" repressivos.
Ótimo, o projeto foi aprovado. Mas ainda é muito pouco, pois a Comissão é restita demais. Ela é só uma Comissão de Verdade, sem nenhum compromisso mais sério com a MEMÓRIA e a JUSTIÇA. Apurar a verdade é importante mas permitir que a verdade seja defendida e usada como maneira de obter a Justiça não tem nada de revanchismo. Porém, para o relator do projeto, “Não se admite na democracia um tribunal de exceção. Essa função é do Poder Judiciário. As informações ali levantadas podem até ser enviadas para a Justiça para os que sentirem atingidos”. Mas é um direito que tem todos aqueles que foram perseguidos, banidos, exilados, presos, torturados, estuprados, violentados, assassinados, desaparecidos pelo regime. É um direito da família de todos esses cidadãos brasileiros terem a verdade completa, ter o corpo de seus familiares encontrado para poder superar o luto, superar o trauma e continuar vivendo. Isso é NECESSÁRIO! Não é um capricho ou uma benesse de que está no poder, mas um DIREITO!
Resta-nos aguardar os próximos capítulos e ver quem serão os nomeados pela presidenta para coordenar a Comissão e acompanhar os trabalhos, na espera dos resultados e ávidos por usar tudo o que for investigado para trabalharmos com mais propriedade a MEMÓRIA desse período de exceção.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dilma na balança: faxina, oposição e mídia

A corrupção na política é tão antiga que precisaria de Carbono 14 para datar seu início. Na Roma Antiga já havia discursos zelando pela lisura na administração dos bens públicos e denunciando corruptos. A presidenta Dilma adotou uma postura - louvável, por sinal - contrária à corrupção, o que tem levado a chefe do Executivo a dispensar todos que apresentam qualquer resquício de possibilidade de má administração do dinheiro público. E, assim, Dilma já demitiu os Ministros Antônio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transporte) com sua trupe, e outros integrantes da base aliada como Oscar Jucá da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Além disso, não impediu a saída de Wagner Rossi do Ministério da Agricultura, após escândalo recente. Se tais denúncias são verdadeiras ou não, talvez nunca saibamos - pois a mídia, via de regra, só lança as denúncias mas nunca apresenta a conclusão dos casos - mas representaram um ponto de diferenciação em relação ao governo Lula, muito mais conciliador.

Todos que conheceram Dilma antes das eleições sempre dizem que ela é técnica e não política. Sua vocação não está na negociação, conciliação e tolerância característicos da política, mas no zelo pela administração, na busca de resultados e cobrança de serviço digno. Ao menos, é o que tem parecido. Se olharmos para nossa história recente, outros governos usaram o combate à corrupção como mote de campanha mas, não tiveram muito êxito na prática. Jânio Quadros tinha no seu jingle o famoso "varre, varre vassourinha, vai varrendo a corrupção". Todavia, seu governo foi tão rápido e confuso que nem deu tempo de cumprir a promessa de campanha. Outro que fez campanha contra os marajás da política brasileira e se elegeu foi Fernando Collor. Bom, sobre ele não preciso falar mais nada. Dilma, por sua vez, não usou a "faxina" na sua campanha, mas o tem feito na prática. Ponto pra ela.

A "faxina" da presidenta tem agradado até mesmo a oposição, que tem ficado sem assunto para bater no governo. E até mesmo a oposição tem adotado postura favorável ao governo. Exemplo disso é o ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso que, nos últimos dias, elogiou as atitudes da presidenta e pediu a seu partido que se posicione a seu lado contra a corrupção - Alckmin e Aécio Neves já haviam elogiado seu desempenho em outras datas. Acabou esvaziando qualquer discurso que ainda pudesse ser propagado pelo partido. Na prática, apenas PSDB e DEM não estão com o governo - além de outros partidos com representação menor e os partidos de esquerda mais radical. A coalizão que levou Dilma ao poder é conflitante em sua formação mas tem garantido à presidenta aprovar, com relativa facilidade, seus projetos na Câmara e no Senado. Aqui pesa o fato de Dilma ser mais técnica que política. É difícil agradar a toda a base aliada, um Frankstein que uniu partidos de "esquerda" (PCdoB, PSB, PT), partidos que não lembram mais o que já foram (PMDB), partidos que apoiaram a ditadura e desde lá não sabem bem quem são (PP) e partidos que já nascem sem saber o que são e para quê servem (PSD de Kassab). O PR já pulou fora pois sentiu-se desprestigiado. Agora, como dar prestígio equânime a uma gama de partidos como essa? E, com essa recaída da oposição para o lado da presidenta, quem vai restar para fazer oposição até a eleição de 2014? Mais um ponto para Dilma.
E o quarto poder, a mídia, também largou as armas pesadas que usava contra Lula e tem usado de calibres bem mais moderados para atingir Dilma. Para explicar essa mudança, indico dois fatores: a mudança de atitude do governo com relação à mídia e o fortalecimento de um discurso que separa Lula de Dilma visando as próximas eleições presidenciais. Vou explicar melhor. Quando assumiu em 2002, Lula enfrentou muitas críticas da mídia, chorou no velório do Roberto Marinho, ficou todo amiguinho da Globo, mas não adiantou. A mídia posicionou-se contra seu governo do início ao fim e ele, partiu para o ataque, criticou a mídia em quase todas as suas aparições públicas. Dilma, no entanto, ao vencer as eleições deu sua primeira entrevista à Record e não à Globo e, perguntada sobre sua posição em relação às críticas da mídia, respondeu preferir o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras - da qual foi vítima. Enquanto Lula criticava qualquer denúncia da mídia, Dilma dá ouvidos a elas e demite quem está no centro dos escândalos. Por outro lado, a mídia tem moldado suas críticas à necessidade de preparar as eleições de 2014. Dilma é, potencialmente, uma candidata mais fraca que Lula. A intenção da mídia é: desvincular a imagem do Lula a de Dilma, mostrando um rompimento do governo dela ao de seu antecessor e indicando que o governo atual é melhor. Por quê isso? Para enfraquecer a candidatura de Lula e levar o PT a indicar Dilma para o próximo pleito. Como candidata mais fraca, os "candidatos da mídia" terão mais chance de vitória, podendo levar a uma derrota do PT. Ué, mas a mídia tem candidato? Lógico que sim. Embora se diga neutra, a mídia brasileira sempre fez campanha - vide o tempo gasto no Jornal Nacional com o caso da perigosa bolinha que atingiu a careca do Serra nas vésperas da eleição passada.
É esperar para ver como o governo Dilma vai sustentar sua relação com os aliados e com a mídia até o final de seu governo o qual, não é demais lembrar, está só começando...